Sunday, April 26, 2009

Desilusão


Eis que cai o véu da ilusão, que com seu doce êxtase me obscurecia a visão, os sentidos e os pensamentos. Tudo está mais claro agora aos meus olhos nus, que vislumbram a verdade por detraz da máscara de emoções.

Já não faço mais rimas, ou falo de sorrisos e alegrias, muito menos então escreverei sobre amores, sentimento tão nobre que pode criar e destruir com a mesma eficiência. Venda da mente, obscurece a visão e entorpece os sentidos, muitas vezes causando chagas e enfermidades irreparáveis aos corações desprevinidos.

Penso não ser mais capaz de rimar, apenas escrever sobre as verdades da vida, que hoje vejo com olhos de desilusão. Direi que a felicidade existe sim, e é valiosa, porém efêmera.

Direi que o amor, sentimento tão nobre que veste a realidade com uma fantasia linda e atraente tem o poder de ferir fundo a alma, e a cicatriz será eterna, até o dia em que haverão tantas delas que não mais haverá espaço para uma nova punhalada, um coração de pedra se formará então.

Escreverei sobre poetas, estes seres com coração de vidro e sentimentos nobres. Corajosos, e hoje vejo o quão corajosos são, que expõem seus sentimentos em forma de palavras, generosos em compatilhar com todos suas emoções. Os poetas são como um belo vitral, onde está pintada sua alma. Mas uma pedra pode quebrar o frágil vidro, e hoje me pergunto se não seria melhor ter janelas de aço, sem a beleza do vitral frágil, mas com a dureza do coração de pedra para aguentar os golpes da vida.

E ao final, penso que hoje vejo tudo claramente, mas nada entendo. Não entendo os sentimentos, não entendo os fatos, não  entendo você. Penso em tentar reconstruir minha janela de cristal, mas receio uma nova pedrada que me machucaria fundo demais, talvez eu deva construir minha janela de aço enquanto é tempo, mas se o fizer, não mais poderei vêr-te através desta.

Então após muito refletir, decido que não desisto de meu vitral, mas sei que ele nunca mais terá a beleza e transparência de antes, mas não desisto da doce ilusão, fantasia da realidade que domina meu coração, por fim, não desisto de amar...mas não mais amarei a ti.
E se finalmente um dia eu trocar minha remendada janela de cristal por uma de aço, é porque abri mão para sempre de minha efêmera felicidade.

Um sonho não precisa acabar só porque você despertou. 

3 comments:

Roberta K. said...

Mandou bem pra caramba no post, Lele... tomara que vc continue afeiçoado a prosa e não mais ao verso, hueiheuih =))) quite better!

E tomara tb que vc não abra mão da sua efêmera felicidade, um dia vc achará alguém que componha honradamente seu coração de vidro. ;)

*-* said...

Nossa primo!
Que lindo!Me emocionei lendo!!
bjuus

www.ana-rosa.blogspot.com said...

Olá
Encontrei o seu cantinho por acaso, e ao ler deixei cair algumas gotas, o que é normal, acabamos por nos olharmos de alguma forma ai nessa simples palavras....
Felicidades...
tudo de bom....
ana